domingo, 25 de outubro de 2015

Febrinha da boa...

Nos jantares de grupo é inevitável surgirem situações caricatas que ficam para a história, daquelas que nos jantares futuros são lembradas entre gargalhadas. O último, há uns dias atrás, não foi excepção. 

Éramos um grupo de oito e partilhávamos o restaurante com um jantar de curso, o que resulta sempre num ambiente muito descontraído e com alguma confusão, com empregados atarefados de um lado para o outro a tentar atender a todos os pedidos tudo num meio de uma grande algazarra e entre cantorias e gritos de "mão direita, mão direita é penalty...!"

Eventualmente, uma funcionária do restaurante já de alguma idade passou por nós e um colega meu aproveitou para pedir mais comida: "Gostaria mais um bocadinho de febra, se faz favor". A senhora parou, a olhar para ele muito séria "Febra? Da minha?!", num tom algo indignado e surpreso. Bem, o rapaz nem sabia onde se enfiar e até gaguejou enquanto se tentava explicar: "Não, não! Febras, sabe... Chicha. Do porco, claro!" Ao que a senhora com um sorriso maroto responde "Então, são das minhas... Fui eu que fiz! Achava que eu estava a falar de quê?!"

Foi a risota geral e enquanto ele corava que nem um tomate. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Nova fase

O blog anda um pouco abandonado, mas esta última semana foi de loucos.  Comecei a estagiar e não tenho parado. Chego a casa morta e só me apetece enroscar-me no sofá a ver uma série até à hora de jantar.


O estágio por enquanto, está a correr bem. Ainda me estou a adaptar e a aprender como algumas coisas funcionam. Nos primeiros dias foi inevitável aquele nervoso miudinho, aquele "ai espero não dizer nenhuma calinada", mas toda a gente me tem posto bastante à vontade para pedir ajuda e me ensinarem o que não sei fazer. A outra estagiária é simpática e parece-me o início de uma boa amizade e o meu chefe é bastante acessível. Só tenho um colega que é um bocadinho mau-feitio e conflituoso, portanto ando a tentar manter a nossa relação o mais cordial possível. De resto, ando entusiasmada com esta nova fase, é óptimo finalmente começar a aplicar o que aprendemos na faculdade, entrar no mundo do trabalho.  Quase me sinto uma adulta! 


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pipocas contaminadas

Desde que houve o surto de gripe A generalizou-se o recurso ao álcool em gel para desinfectar as mãos. Não só nos WC's e outros locais públicos, mas também em casa e nas malas das mulheres, aquele saco sem fundo onde tudo se encontra (com maior ou menor dificuldade, conforme a perícia de cada uma). Actualmente é mais raro encontrar nos lugares públicos, mas continuo a ter muitas amigas e conhecidas que continuam a transportar consigo o dito frasquinho e a usá-lo regularmente.

Pessoalmente, nunca aderi. Sou daquelas pessoas que está sempre a lavar as mãos (com animais em casa, ainda mais), ao ponto de sentir uma necessidade constante de usar um creme hidratante (esse sim, fiel companheiro para onde quer que eu vá). Usar o álcool em gel parece-me um bocadinho extremo, talvez porque tenho vários familiares a trabalhar na área da saúde que nunca ligaram ao dito frasquinho e, inevitavelmente, acabaram por influenciar a minha escolha. Sempre respeitei quem usa, apesar de me fazer alguma confusão quando via pessoas com as mãos visivelmente sujas e a esfregá-las avidamente com o gel.

Há uns dias, contudo, vivi uma situação algo caricata. Fui ao cinema com um grupo de amigos e conhecidos. Cada um pagou o seu bilhete, comprei um grande pacote de pipocas e, já sentadinha na sala de cinema, ofereci pipocas à rapariga que estava sentada ao meu lado. Ela aceitou, tirou uma mão cheia de pipocas e depois de as comer, sacou do frasco de álcool da carteira e besuntou as mãos. Calma. Vamos lá ver se eu entendi bem. Portanto, ela pagou o bilhete de cinema, tocando no dinheiro (aquela coisinha suja que passa por imensas mãos que não sabemos onde tocaram antes de chegarem às nossas...), no bilhete, entrou na sala de cinema, sentou-se, eventualmente mexeu no telemóvel e sabe Deus mais em quê, tudo isto sem sentir necessidade de desinfectar as mãos. Entretanto, pôs a sua mão contaminada com milhares de vírus e bactérias nas minhas pipocas, engoliu a pipoca contaminada e só depois - e não antes, como seria normal, digo eu - sentiu necessidade de limpar as mãos. Bactérias nas pipocas que eu como? Tudo bem, nas minhas mãos é que não.

Não faz sentido.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Meow



A minha irmã adoptou um gato. Já andava há algum tempo a magicar o assunto, sempre que cá vinha a casa e tinha os nossos (temos dois) e tinha um deles a correr atrás dela, a pedir miminhos ou a bater-lhe à porta à noite para dormirem com ela. "Tenho que arranjar uma companhia para mim...", ia dizendo e ao mesmo tempo adiando, com desculpas esfarrapadas. Que como ela trabalha por turnos, o gato ia passar muito tempo sozinho, onde é que o deixava quando quisesse ir de férias (cá em casa, duh?), etc, etc. Há pouco mais de uma semana atrás, do nada, ligou-me: "Mana, arranjei um gato!" A gata de uma conhecida tinha tido gatinhos e já estavam todos dados, menos um e ela andava desesperada à procura de dono para o gatinho. Assim que a minha irmã viu a fotografia do pequeno traquinas, derreteu-se e aceitou ficar com ele. Ligou-me a pedir dicas enquanto andava às compras de acessórios para o felino e andava toda entusiasmada. Dois dias depois tinha-o em casa. 

No domingo veio a casa votar e trouxe-o. É uma coisinha minúscula de 1kg, tinha acabado de fazer dois meses e é lindo. E um reguila e brincalhão de primeira. Muito desconfiado, pouco habituado a colo e que bufava sempre que um dos outros gatos se aproximava. Isolava-se muito, algo que me fez logo confusão porque o meu segue-me para todo lado e mesmo a dormir gosta de estar com companhia. Hoje já nem parece o mesmo. Continua a brincar imenso, passa horas a saltitar de um lado para o outro e a caçar bichinhos imaginários ou os brinquedos que lhe atiramos. É fascinante observá-lo, a televisão fica completamente esquecida. Por outro lado, já está mais sociável. A primeira vez que o tentei adormecer no meu colo, foi uma luta em que ele acabou por ser vencido pelo cansaço. Agora já é ele que nos procura quando se cansa da brincadeira e é vê-lo encostar-se a nós para dormir, tão pequenino, indefeso e já a confiar tanto em nós. 

É nestes momentos que não só não consigo perceber como sinto repugnância por quem abandona animais. Quem é capaz de abandonar um animal à sua sorte, trair a sua  confiança, não vale nada como ser humano. 

sábado, 3 de outubro de 2015

Dona Inércia

Sabem aqueles dias em que não se sentem motivadas para fazer absolutamente nada? O tempo não rende, não fazem nada produtivo, mas nada inútil também. Hoje para mim foi um dia assim. 

Começou logo mal de manhã cedo, quando acordei com o meu pai a fazer barulho ainda não eram 9h. Como me tinha deitado tarde, estava cheia de sono e continuei na cama, a tentar retomar o sono que fora interrompido. Não o consegui fazer com grande sucesso: passei pelas brasas, acordando ao menor barulhinho e voltando a dormitar de seguida. É um sono que para além de não me descansar nada, ainda me deixa com uma dor de cabeça que dura o dia todo (que lá teve de ser atenuada com um comprimido).

Talvez tenha sido o despertar atribulado que condicionou o meu estado de espírito para o resto do dia. Não tinha planos, o que pode ser um pesadelo para muitas pessoas mas que eu particularmente adoro. Para mim não há nada melhor do que o meu tempo livre ser, efectivamente, livre! Sem actividades, marcações aqui ou ali, obrigações. Poder fazer aquilo que, no momento, sentir vontade. O que pode incluir estar o dia todo no sofá a devorar séries, a ler, ir às compras, passear, mimar o gato...  Mas hoje estive aborrecida o dia todo, dominada pela preguiça. Não me apetecia ler, nem ver séries, nem sair, nem... Nada. Até me lembrei de fazer uma tarte de maçã, para aproveitar as maçãs da macieira que temos no jardim, mas entre a ida ao supermercado para comprar algumas coisas que faltavam, a vontade de me enfiar na cozinha perdeu-se.

A tarte ficará para amanhã. Espera-se! 

Vamos fazer a diferença?






E Domingo é o dia de, mais uma vez, irmos às urnas exercer o nosso direito, conquistado há quarenta anos, de votar e escolher livremente quem queremos que nos governe pelos próximos 4 anos. Desde os meus 18 anos tenho votado religiosamente, seja nas autárquicas, presidenciais ou nas legislativas.  Confesso que me faz uma enorme confusão as pessoas a quem lhes passa ao lado este dia, que não se procuram informar minimamente sobre as opções que temos, geralmente com a desculpa de "não gosto de política", "são todos iguais", "não vai mudar nada". O que não muda nada é ficar em casa ou para o centro comercial e deixar de ir votar. 

Ponham a mão na consciência e vão às urnas, sim? Demora uns 5 minutos e, pasmem-se! É de graça

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Malditos parasitas...

Sou dona de tigre em miniatura de 8 anos. Ou escrava humana, na mente dele. É um pequeno patudo de 7kg, com olhos verdes amendoados e longos bigodes. É um companheiro leal, a minha sombra para onde quer que eu ande em casa (sim, até mesmo quando vou à casa de banho...), que vem a correr à porta quando eu chego e que, enquanto falo com ele, olha para mim com uma atenção como nunca ninguém o fez. Dorme encostadinho a mim todas as noites, em cima da mantinha que ponho para ele na cama e faz birra quando chega a hora de ir dormir e quer que eu vá com ele. Adora miminhos e tem uma adoração especial por mim (apesar de não negar o colo de outros membros da família) e quebra todos os estereótipos parvos de que os gatos não ligam aos donos, são falsos e bla bla bla whiskas saquetas. Deve ser mais que visível que é o menino dos meus olhos e podia estar aqui o resto do dia  a falar das suas façanhas e peculiaridades. 

Contudo, nem tudo é perfeito. Apesar de ser muito dócil e ter uma enorme paciência para me aturar, há coisas que não tolera. Tomar comprimidos é uma delas. Ao longo destes 8 anos já testei diversas técnicas, com sucessos variados. A velha técnica de abrir a boca e enfiar o comprido na goela, que tem resultado com os cães que já passaram cá por casa desde que nasci, incluindo pastores alemães, é um atentado à integridade física. A minha, claro. Quando eu acho que ele já terá engolido o comprido e lhe solto o focinho, eis que ele surge, cuspido a grande velocidade e indo parar a metros de distância. Se insisto, surgem as garras e os dentes, pequeninos mas afiados. Abandonei este método já há anos, depois de várias tentativas falhadas. 

Entretanto comecei a esmagar os comprimidos, misturar com um pouquinho de água e dar-lhe numa seringa. Tem corrido razoavelmente bem, com níveis de sucesso variados. Há sempre uma pequena parte que é cuspida, mas tento compensar ajustando a dose. Ontem foi o dia de dar o desparasitante interno. E não podia ter corrido pior. 

Fiz tudo como habitual e, munida de seringa, agarrei o gato ao colo, tentando segurar-lhe as patas enquanto o meu pai lhe tentava administrar o medicamento. Tentava. Mal sentiu o líquido na boca começou a espernear e a contorcer-se como se possuído pelo demónio, cuspindo tudo em várias direcções. Insistimos e ele cuspia tudo como se lhe estivéssemos a dar veneno, além de ter começado a pôr as unhas de fora e a bufar como se fossemos o seu pior inimigo. Desistimos. Havia desparasitante por todo lado e estava fisicamente cansada de tentar lutar com um gato de 7kg. 

Já andei a pesquisar e descobri que existe uma marca de desparasitante externo e interno em pipetas. Vou revirar tudo até encontrar. A ver se matamos os parasitas todos e sobrevivemos para contar a história...