quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Recomeçar

Faz exactamente 11 meses desde o meu último post. Pode parecer propositado, mas tratou-se de um mero acaso, uma coincidência feliz. Lembrei-me assim, meio que do nada, deste blog, esquecido e abandonado entre tantos outros da blogosfera. Tinha noção que o meu último post tinha sido, justamente, a prometer ser mais activa, a escrever mais, a não o deixar largado. Porque a verdade é que escrever faz-me bem. Com muito ou pouco público, escrever é algo que me alivia nos momentos maus, me diverte e me distrai. Desta vez não vou fazer promessas vãs. Mas vou tentar manter em mente com me é importante escrever. E se alguém desse lado estiver a ler, olá :)

Muito se passou neste (quase) um ano. Novidades, muitas, mas aos poucos lá irei. Quero recomeçar este blog, a abordar um tema que evito, mesmo na minha esfera pessoal. E quero fazê-lo porque preciso de o desmistificar na minha mente, preciso encara-lo com mais naturalidade, não me sentir constrangida por o admitir, como se fosse um segredo feio que me envergonha. Porque, pensando bem, qual o mal de sofrer de ansiedade? 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Desaparecida em combate...

A vida às vezes anda a uma velocidade tão alucinante que quando damos por nós, já passaram quase 3 meses desde o último post no blog e nem demos por isso... Ops!

Nestes últimos meses aconteceram muitas coisas boas. O estágio continua a ocupar grande parte do meu tempo e se já era apaixonada pelo Direito durante a Universidade, agora cada vez mais tenho a certeza que escolhi a área certa e que tem tudo a ver comigo. O mês de Janeiro foi uma loucura com a fase final da tese, muito stress, noites mal dormidas e um enorme alívio quando finalmente e entreguei na faculdade. E a defesa está quase ai! Nervosa? Que ideia! 


Prometo tentar não voltar a abandonar aqui o estaminé ;)

domingo, 15 de novembro de 2015

Esta mania que o tempo tem...

... De passar a correr. 

Parece que foi ainda ontem que comecei a estagiar mas a verdade é que fez ontem um mês. Quase nem dei pelo tempo a passar, ando sempre a correr entre casa-escritório e no meio de tudo ainda tenho que arranjar tempo - e inspiração! - para escrever a minha tese de mestrado. 

Começo a ficar um pouco preocupada, confesso. Ao final do dia já chego a casa cansada, a precisar de me distrair e a tese acaba por avançar muito pouco. Tenho aproveitado os fins-de-semana e os momentos mais mortos no escritório para trabalhar na tese. Mas já estamos a meio de Novembro, tenho que entregar a tese em finais de Janeiro e às vezes surge um nervoso miudinho, um pânico gritante na minha cabeça "E se não for capaz?!". Ainda me falta fazer tanta coisa!

E depois falo com colegas que ainda não escreveram uma única linha e fico um bocadiiinho mais descansada.

domingo, 25 de outubro de 2015

Febrinha da boa...

Nos jantares de grupo é inevitável surgirem situações caricatas que ficam para a história, daquelas que nos jantares futuros são lembradas entre gargalhadas. O último, há uns dias atrás, não foi excepção. 

Éramos um grupo de oito e partilhávamos o restaurante com um jantar de curso, o que resulta sempre num ambiente muito descontraído e com alguma confusão, com empregados atarefados de um lado para o outro a tentar atender a todos os pedidos tudo num meio de uma grande algazarra e entre cantorias e gritos de "mão direita, mão direita é penalty...!"

Eventualmente, uma funcionária do restaurante já de alguma idade passou por nós e um colega meu aproveitou para pedir mais comida: "Gostaria mais um bocadinho de febra, se faz favor". A senhora parou, a olhar para ele muito séria "Febra? Da minha?!", num tom algo indignado e surpreso. Bem, o rapaz nem sabia onde se enfiar e até gaguejou enquanto se tentava explicar: "Não, não! Febras, sabe... Chicha. Do porco, claro!" Ao que a senhora com um sorriso maroto responde "Então, são das minhas... Fui eu que fiz! Achava que eu estava a falar de quê?!"

Foi a risota geral e enquanto ele corava que nem um tomate. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Nova fase

O blog anda um pouco abandonado, mas esta última semana foi de loucos.  Comecei a estagiar e não tenho parado. Chego a casa morta e só me apetece enroscar-me no sofá a ver uma série até à hora de jantar.


O estágio por enquanto, está a correr bem. Ainda me estou a adaptar e a aprender como algumas coisas funcionam. Nos primeiros dias foi inevitável aquele nervoso miudinho, aquele "ai espero não dizer nenhuma calinada", mas toda a gente me tem posto bastante à vontade para pedir ajuda e me ensinarem o que não sei fazer. A outra estagiária é simpática e parece-me o início de uma boa amizade e o meu chefe é bastante acessível. Só tenho um colega que é um bocadinho mau-feitio e conflituoso, portanto ando a tentar manter a nossa relação o mais cordial possível. De resto, ando entusiasmada com esta nova fase, é óptimo finalmente começar a aplicar o que aprendemos na faculdade, entrar no mundo do trabalho.  Quase me sinto uma adulta! 


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pipocas contaminadas

Desde que houve o surto de gripe A generalizou-se o recurso ao álcool em gel para desinfectar as mãos. Não só nos WC's e outros locais públicos, mas também em casa e nas malas das mulheres, aquele saco sem fundo onde tudo se encontra (com maior ou menor dificuldade, conforme a perícia de cada uma). Actualmente é mais raro encontrar nos lugares públicos, mas continuo a ter muitas amigas e conhecidas que continuam a transportar consigo o dito frasquinho e a usá-lo regularmente.

Pessoalmente, nunca aderi. Sou daquelas pessoas que está sempre a lavar as mãos (com animais em casa, ainda mais), ao ponto de sentir uma necessidade constante de usar um creme hidratante (esse sim, fiel companheiro para onde quer que eu vá). Usar o álcool em gel parece-me um bocadinho extremo, talvez porque tenho vários familiares a trabalhar na área da saúde que nunca ligaram ao dito frasquinho e, inevitavelmente, acabaram por influenciar a minha escolha. Sempre respeitei quem usa, apesar de me fazer alguma confusão quando via pessoas com as mãos visivelmente sujas e a esfregá-las avidamente com o gel.

Há uns dias, contudo, vivi uma situação algo caricata. Fui ao cinema com um grupo de amigos e conhecidos. Cada um pagou o seu bilhete, comprei um grande pacote de pipocas e, já sentadinha na sala de cinema, ofereci pipocas à rapariga que estava sentada ao meu lado. Ela aceitou, tirou uma mão cheia de pipocas e depois de as comer, sacou do frasco de álcool da carteira e besuntou as mãos. Calma. Vamos lá ver se eu entendi bem. Portanto, ela pagou o bilhete de cinema, tocando no dinheiro (aquela coisinha suja que passa por imensas mãos que não sabemos onde tocaram antes de chegarem às nossas...), no bilhete, entrou na sala de cinema, sentou-se, eventualmente mexeu no telemóvel e sabe Deus mais em quê, tudo isto sem sentir necessidade de desinfectar as mãos. Entretanto, pôs a sua mão contaminada com milhares de vírus e bactérias nas minhas pipocas, engoliu a pipoca contaminada e só depois - e não antes, como seria normal, digo eu - sentiu necessidade de limpar as mãos. Bactérias nas pipocas que eu como? Tudo bem, nas minhas mãos é que não.

Não faz sentido.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Meow



A minha irmã adoptou um gato. Já andava há algum tempo a magicar o assunto, sempre que cá vinha a casa e tinha os nossos (temos dois) e tinha um deles a correr atrás dela, a pedir miminhos ou a bater-lhe à porta à noite para dormirem com ela. "Tenho que arranjar uma companhia para mim...", ia dizendo e ao mesmo tempo adiando, com desculpas esfarrapadas. Que como ela trabalha por turnos, o gato ia passar muito tempo sozinho, onde é que o deixava quando quisesse ir de férias (cá em casa, duh?), etc, etc. Há pouco mais de uma semana atrás, do nada, ligou-me: "Mana, arranjei um gato!" A gata de uma conhecida tinha tido gatinhos e já estavam todos dados, menos um e ela andava desesperada à procura de dono para o gatinho. Assim que a minha irmã viu a fotografia do pequeno traquinas, derreteu-se e aceitou ficar com ele. Ligou-me a pedir dicas enquanto andava às compras de acessórios para o felino e andava toda entusiasmada. Dois dias depois tinha-o em casa. 

No domingo veio a casa votar e trouxe-o. É uma coisinha minúscula de 1kg, tinha acabado de fazer dois meses e é lindo. E um reguila e brincalhão de primeira. Muito desconfiado, pouco habituado a colo e que bufava sempre que um dos outros gatos se aproximava. Isolava-se muito, algo que me fez logo confusão porque o meu segue-me para todo lado e mesmo a dormir gosta de estar com companhia. Hoje já nem parece o mesmo. Continua a brincar imenso, passa horas a saltitar de um lado para o outro e a caçar bichinhos imaginários ou os brinquedos que lhe atiramos. É fascinante observá-lo, a televisão fica completamente esquecida. Por outro lado, já está mais sociável. A primeira vez que o tentei adormecer no meu colo, foi uma luta em que ele acabou por ser vencido pelo cansaço. Agora já é ele que nos procura quando se cansa da brincadeira e é vê-lo encostar-se a nós para dormir, tão pequenino, indefeso e já a confiar tanto em nós. 

É nestes momentos que não só não consigo perceber como sinto repugnância por quem abandona animais. Quem é capaz de abandonar um animal à sua sorte, trair a sua  confiança, não vale nada como ser humano.